Como calcular a rentabilidade real de um imóvel alugado
Condomínio, IPTU, manutenção e vacância — o que separa o rendimento bruto do que sobra de verdade.
A conta que quase todo mundo faz é esta: valor do aluguel dividido pelo valor do imóvel. É simples, é rápida e é otimista demais — porque ignora praticamente tudo o que consome o retorno.
O número que interessa é o líquido. E ele sempre é menor.
O que precisa entrar na conta
Vacância. Nenhum imóvel fica alugado cem por cento do tempo. Entre um inquilino e outro há um período parado, e durante ele você não recebe aluguel e continua pagando condomínio e IPTU. É o item que mais derruba o retorno de quem não o considerou.
Condomínio e IPTU nos períodos vagos. Consequência direta do item anterior, e frequentemente esquecida.
Manutenção. Pintura entre locações, reparos, troca de equipamentos, adequações pedidas pelo inquilino. Não acontece todo mês, mas acontece — e vale provisionar um valor anual.
Administração. Se você não vai cuidar pessoalmente da locação, há custo de administração imobiliária.
Imposto de renda sobre o rendimento de aluguel, conforme a sua situação.
Custos de aquisição diluídos. ITBI, escritura e registro foram pagos uma vez, mas fazem parte do capital investido. Ignorá-los infla artificialmente o retorno.
Fazendo a conta direito
A lógica correta é anual, não mensal:
- calcule a receita anual esperada considerando meses de ocupação realista, não doze;
- subtraia todos os custos anuais recorrentes;
- subtraia a provisão de manutenção;
- divida o resultado pelo capital total investido — preço mais custos de aquisição.
O número que sai daí costuma ser bem diferente do que a conta simples sugeria.
O outro componente: valorização
Retorno de imóvel tem duas pernas — renda e valorização. A segunda só se realiza na venda, e precisa ser lida depois da inflação. Valorização nominal que só acompanha a inflação não é ganho, é manutenção de poder de compra.
E há o custo de saída: corretagem, imposto sobre ganho de capital quando aplicável, e o tempo até vender.
Comparando com outras aplicações
Para comparar imóvel com renda fixa ou fundo imobiliário de forma honesta, é preciso colocar tudo na mesma régua: retorno líquido, liquidez, esforço de gestão e risco.
Imóvel tem características que a planilha não captura — é um ativo real, tangível, que serve à formação de patrimônio e à sucessão familiar. Também é o menos líquido dos três: você não vende metade de um apartamento numa tarde.
Não existe resposta única. Existe adequação ao seu objetivo, ao seu prazo e ao seu perfil.
Antes de comprar para alugar
A pergunta mais útil não é quanto rende, e sim: esse imóvel é fácil de alugar nesta região? Um retorno teórico alto num imóvel que fica meses vago rende menos que um retorno modesto com ocupação constante.
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